O que quem nunca viveu uma depressão precisa saber

Durante muitos anos, achei que entendia o que era depressão. Sabia que era uma doença e respeitava o sofrimento de quem a enfrentava. Mas, no fundo, minha compreensão era superficial. Eu a associava a uma tristeza muito profunda, a um estado do qual a pessoa poderia sair com tempo, força de vontade ou uma mudança nas circunstâncias da vida.

Só descobri o quanto estava enganado quando a depressão aconteceu comigo.

No meu caso, ela veio depois de um acontecimento extremo. Sobrevivi a um atentado, fiquei com sequelas neurológicas e, algum tempo depois, tentei retomar minha rotina e meu trabalho. Foi nessa tentativa de voltar à vida que percebi que alguma coisa dentro de mim havia mudado.

Meu raciocínio estava mais lento. Problemas que antes resolvia com facilidade passaram a exigir um esforço enorme. Eu havia me preparado desde muito jovem para assumir a gestão da empresa da minha família e comecei a perceber que talvez não tivesse mais condições de ocupar aquele lugar.

A depressão não chegou de uma vez. Foi retirando, aos poucos, a cor das coisas.

Fui ficando mais sério, mais fechado. No trabalho, quando perguntavam como eu estava, respondia: “Estou ótimo. Cada vez melhor.” Em casa, queria ficar sozinho. Cheguei a me encolher no escuro, deitado em posição fetal, tentando me afastar de um mundo que havia se tornado difícil demais.

Um problema pequeno podia se transformar numa catástrofe dentro da minha cabeça. Eu me imaginava morando com minha família debaixo de um viaduto. Via meus filhos com roupas esfarrapadas. Imaginava instituições de caridade trazendo comida para nós.

Nada na minha realidade indicava que aquilo aconteceria. Hoje consigo reconhecer o quanto essas imagens eram irracionais.

Naquele momento, porém, eram reais para mim.

Essa é uma das coisas mais difíceis de explicar sobre a depressão. Não se trata simplesmente de olhar para a mesma vida que todos estão vendo e sentir mais tristeza diante dela. A própria percepção da realidade pode mudar. O que era possível parece inalcançável. Um problema se torna uma ameaça. E o futuro pode deixar de ser um lugar de possibilidades.

Por isso, frases bem-intencionadas como “você tem uma família maravilhosa”, “olha tudo o que conquistou” ou “tem tanta gente em situação pior” nem sempre alcançam uma pessoa deprimida.

A depressão não é um balanço contábil no qual se somam as coisas boas e ruins para descobrir se existem razões suficientes para estar feliz.

Dinheiro não imuniza contra depressão. Sucesso não imuniza. Reconhecimento, família ou posição profissional também não. A doença não pergunta se uma vida parece boa aos olhos dos outros.

Enquanto tudo isso acontecia dentro de mim, havia algo que eu também não conseguia enxergar: o que estava acontecendo com minha família.

Carol cuidava das nossas filhas, de um bebê que havia acabado de nascer e de mim. Tentava me trazer de volta sem saber exatamente como fazer isso. Minhas filhas também tentavam compreender aquele pai diferente.

Em um dos momentos mais difíceis, uma delas, chorando, disse que não queria mais aquele pai. Queria o pai que tinha antes.

Essa frase me acompanha até hoje.

A depressão era minha. Mas suas consequências atravessavam a casa inteira.

Quem está próximo vive uma situação particularmente difícil: quer ajudar e não sabe como. Quer encontrar as palavras certas e descobre que elas talvez não existam. Amor é fundamental, mas amor não substitui tratamento.

Carol insistia para que eu procurasse ajuda profissional. Eu resistia.

Havia a própria depressão, mas havia também preconceito. Eu carregava ideias que tinha aprendido ao longo da vida: “psiquiatra é para louco”, “psicólogo é jogar dinheiro fora”.

Hoje é desconfortável admitir isso. Mas considero importante fazê-lo, porque preconceitos sobre saúde mental parecem inofensivos enquanto não precisamos de ajuda. Quando precisamos, podem se transformar numa barreira entre o sofrimento e o tratamento.

No meu caso, chegou um momento em que a dor ficou maior do que o preconceito.

Procurei uma psicóloga e um psiquiatra. Comecei a fazer psicoterapia e tratamento medicamentoso. Não houve uma transformação instantânea. Houve um processo.

Uma das coisas que precisei aprender foi que não voltaria a ser exatamente quem era antes. Aceitar isso foi doloroso e, ao mesmo tempo, libertador. Outra foi compreender que aceitar ajuda não era admitir fraqueza.

O tratamento profissional foi fundamental. Mas houve também pessoas que permaneceram quando eu não sabia como voltar. Carol permaneceu. Minhas filhas permaneceram. Minha família permaneceu.

Elas não podiam fazer o tratamento por mim. Nem sempre sabiam o que fazer. Mas estavam ali.

Meu caminho de volta foi sendo construído assim: tratamento, tempo, apoio e pequenas reconquistas.

Hoje, olhando para aquela época, percebo o quanto eu próprio compreendia pouco a depressão antes de vivê-la.

Eu achava que conhecia a doença porque conhecia a palavra.

Não conhecia.

Não sabia como era ter pessoas por perto e, ainda assim, sentir-se completamente sozinho. Não sabia que alguém podia compreender racionalmente que determinado medo era absurdo e, ao mesmo tempo, senti-lo como absolutamente real. E não sabia o quanto pode ser difícil pedir ajuda justamente no momento em que mais se precisa dela.

Durante o período mais escuro da minha depressão, eu não conseguia enxergar uma saída.

Hoje sei que não conseguir enxergar uma saída não significa que ela não exista.

Eu apenas ainda não conseguia vê-la.

No meu caso, foi preciso tratamento, tempo e pessoas que continuaram ao meu lado até que eu começasse, pouco a pouco, a enxergar novamente.

Foi assim que começou o meu caminho de volta.

Enfrentando os desafios da vida

Os desafios existem para serem superados, mas quando aceitamos ajuda, a
“carga” fica mais leve. Compartilho com você alguns dos meus aprendizados diante à adversidade

Superar as adversidades é um dos maiores obstáculos que enfrentamos ao longo da vida. Os problemas, sejam grandes ou pequenos, apresentam-se a nós durante toda a nossa existência. Não fazem distinção de gênero, classe social, raça ou credo. Passar por eles é um desafio que precisamos enfrentar com sabedoria e apoio! Sim, contar com pessoas que conhecem as suas dores é uma maneira de canalizar forças para soluciona-las. Sabe aquela máxima de que juntos fomos fortes, mas unidos somos imbatíveis? Pois é, pensando nela, reuni aprendizados de uma fase muito difícil da minha vida1, mas que graças a aceitação de que eu precisava de apoio, tudo se transformou. 


Em primeiro lugar vou contar para você os dois aprendizados mais significativos. Aqueles que mudaram completamente a maneira de eu lidar com a adversidade. A partir deles, desdobrarei em outras conclusões, continue a leitura e confira. 

1) Abra o seu coração 

Se você está disposto a receber ajuda o primeiro passo é abrir o seu coração. Quando as coisas ficam difíceis, todos nós precisamos de encorajamento e apoio. Necessitamos de alguém para conversar, alguém para ajudar a aliviar o fardo. Saber que outras pessoas também passaram ou estão vivendo problemas semelhantes é muito reconfortante. Mas para que esse diálogo aconteça, você precisar estar de coração aberto. 


2) Busque ajuda profissional

Se a sua condição perante a adversidade não for ultrapassada e gerar problemas psicológicos como a depressão ou ansiedade, não hesite em procurar ajuda profissional, seja por meio de um psicólogo, coach ou de um grupo de suporte específico, como por exemplo determinados grupos de ajuda.

Agora, trouxe outras reflexões, mais amplas, sobre os desafios que nos são impostos ao longo da vida e como devemos nos portar diante deles. São conclusões baseadas na minha experiência e que espero contribuir no seu entendimento. 

Viva o momento presente 

Vivemos em um ritmo quase automático: acordamos, tomamos banho, café da manhã, trabalhamos, jantamos e dormimos. Essa rotina faz com que todos os dias pareçam iguais, certo? Errado! Se até hoje esse era o seu pensamento, a partir de agora encare cada dia como um presente, uma nova oportunidade de viver.  Sendo assim, não crie expectativa para o futuro, viva a sua realidade com gratidão, reconhecendo cada passo dado e valorizando suas conquistas, por menores que sejam. 

Não concentre no seu problema

Exercite sua mente mentalizando o seu mundo ideal, diante da realidade que você deseja. Sonhe onde você quer chegar, planeje. Toda mudança começa quando alteramos o nosso padrão de pensamento. Por isso, construa diariamente a verdade que existe no seu coração, por meio da vibração do seu pensamento. Os problemas continuarão existindo, cabe a você mudar a forma de lidar com eles. 

Extraia os aprendizados 

Aprender a lidar e superar as adversidades, é o que nos faz ser quem somos. Cada desafio que enfrentamos com êxito serve para fortalecer a nossa força de vontade, confiança e capacidade de vencer os obstáculos futuros.

Por fim, concluo incentivando você a usar as pedras do caminho para
construir os degraus da escada que o conduzirá a uma vida mais feliz
e realizada.

Heródoto, filósofo grego, disse: “A adversidade tem o efeito de atrair a força e as qualidades de um homem que as teria adormecido na sua ausência.”

LINK 1: https://eduardoanton.com.br/

A lei da diversidade merece respeito

Nos últimos tempos, tenho refletido muito sobre a importância de se respeitar as diferenças. Querendo ou não, elas estão aí, todos os dias e em todos os lugares. E sabem de uma coisa? Que bom que elas existem! Imaginem um mundo completamente igual, com pessoas iguais, com pensamentos iguais e posturas iguais. Seria muito chato, não é mesmo? Então, se Deus nos permitiu conviver com a diversidade, devemos, sim, respeitá-la e praticá-la em todos os sentidos.


Hoje em dia, vivemos num mundo de intolerância, de egoísmo e onde muitas pessoas evitam estender as mãos para outras que necessitam. Não deveria ser assim. O ideal é pensar e agir de outra forma, valorizando quem pratica o bem, independentemente da raça, da opção sexual, da religião ou da condição social. Ao fazermos isso, estaremos disseminando a paz, a prosperidade, a inclusão. Sim, amigos! Quando temos uma visão mais humana e pacífica das coisas, a tendência é reforçarmos significativamente a corrente do bem.

# Aceite as diferenças

Penso que não deveria existir um padrão para qualificar ou desqualificar alguém na sociedade. A diversidade está presente no nosso dia a dia, é uma lei natural. Quem não entende isso é porque vive em um outro mundo, numa outra realidade. Fico triste quando vejo pessoas sendo discriminadas e até humilhadas por serem diferentes. 

Eu mesmo convivo com esse dilema. Depois que sofri um atentado, há cinco anos, e fiquei com sequelas neurológicas permanentes, passei a ter dificuldade para executar tarefas que antes fazia com agilidade e rapidez. Essa condição mudou e muitas pessoas que trabalhavam comigo não entenderam essa súbita mudança. Por isso, seja tolerante e compreensivo com quem é diferente

Deixe para trás pensamentos racistas, egoístas e preconceituosos. Pratique a generosidade e a compaixão sempre que puder. É assim que deve ser! Se cada um de nós fazer o bem e aceitar as diferenças, a vida certamente terá um novo sentido, além de renovar as esperanças para as futuras gerações.